Poetas e poesias

Fados Contrários

de
(A José Jorge.)
Num álbum
Diz à flor a borboleta:
“Vamos, irmã, tudo é luz!
Há muito prisma doirado
Que pelos ares transluz…
Tuas pétalas são asas…
Das nuvens nas tênues gazas,
D’aurora nos seios nus
Tens um ninho entre perfumes…
Vamos boiar, entre lumes
Desses páramos azúis”.
À linda filha dos ares,
Responde a silvestre flor:
“Eu amo o gemer das auras
E o beijo do beija-flor…
Se és do céu a violeta,
Sigo um destino menor.
Buscas o céu — eu a alfombra,
Queres a luz — quero a sombra,
Pedes glória — eu peço amor.


Fragmento 4

de
O homem que saiu de casa depois da hora de recolher
não dirá por que saiu
E os inquiridores não sabem…
(...)
 
 

Epitáfio

de
Como o sol nascente a gota enxuga
Que a noite derramou sobre os escolhos,
O anjo da Crença nos enxuga os olhos
E faz do pranto uma oração…
(...)
 


Risco

de
Um poema irmão
de outros poemas
que bebem a correnteza
e brilham…
(...) 
 
 

Capricho

de
Num leito feito de cheirosas rosas,
Risonhos sonhos sonharemos nós…
(...) 
 
 

Trindade

de
A vida é uma planta misteriosa
Cheia d’espinhos, negra de amarguras
Onde só abrem duas flores puras…
(...) 
 
 
 

Canção de Outono

de
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
(...) 
 
 
 
 
 

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